“A novidade veio dar à praia”

Desde o mês de maio, a população maragojipana conta com o serviço de transporte do catamarã


Catamarã

Catamarã

Maragojipe, localizada a 133km de Salvador, é uma pacata cidade do recôncavo baiano privilegiada por acolher em seu território o encontro da foz do Rio Paraguaçu com o Rio Guaí, formando a Baía do Iguape, formando belas paisagens. Além de seus manguezais, também é conhecida pela festa de São Bartolomeu, padroeiro da cidade, grande atrativo turístico para o município.

Desde o mês de maio, a população maragojipana conta com o serviço de transporte do catamarã da Kirimurê transporte náutico no trajeto a Salvador, antes feito apenas por meio rodoviário. O serviço está disponível no terminal hidroviário, porto do Cajá, de segunda à sexta, com saída às 8 horas. O percurso dura uma hora e cinqüenta minutos com parada em São Roque para embarque e desembarque, custando quatro reais e segue rumo à capital por vinte e um reais, com até cento e vinte oito pessoas a bordo.

O senhor Antônio Carlos Pereira, funcionário do porto, afirma que é estimado um aumento significativo da procura pelo passeio com a chegada do verão, assim como no mês de agosto por conta da festa do padroeiro da cidade. A procura pela novidade tem despertado o interesse de um público bastante heterogêneo, variando de jovens a procura de diversão a um delicioso passeio em família. Quem já fez o passeio garante que vale a pena. O catamarã é dotado em sua estrutura de serviço de bar, som e televisão proporcionando bem estar e muito conforto.



LARISSA ARAÚJO E MARIA OLÍVIA ANDRADE

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Vovó do Mangue: um sonho que se tornou realidade

Situado em Maragojipe, na Praça Conselheiro Antonio Rebouças, a fundação Vovó do Mangue, passou de sonho para realidade, funcionando hoje no prédio da Associação Atlética Maragogipana, é uma entidade de caráter Filantrópico e beneficente, composta por três diretores  e um presidente.

A origem do nome está ligada a uma lenda local, segundo os pescadores a vovó do mangue é uma velha rabugenta que castigam aqueles que fazem o mal ao manguezal, por esse motivos eles oferecem aguardente, pó e charuto para a velhinha antes de saírem para pescar.

Segundo Heitor, um dos diretores, a fundação foi fundada em 1997, por um grupo de amigos que tinham uma banda, e que depois resolveram formar uma fundação. São eles Luis Carlos, Francisco, Alleci, Bianca Lins  e o Heitor. Desenvolveram trabalhos como: Projeto brasileirinho, que atende 150 crianças e adolescentes, Projeto Abrinq, que atende 180 crianças, e o Projeto  Viva o mangue, que visa recuperar toda área do manguezal.

Perguntado ao Heitor quais as parcerias que eles mantém, ele afirma: a Petrobrás, Deten Química S/A, Fundação Abrinq e o Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e Adolescentes. Segundo ele a Fundação Abrinq, mantém também uma parceria  com os pais da crianças, os marisqueiros.


Meio ambiente

O projeto é dividido em duas áreas:

  • Educação ambiental que visa a formação de agentes multiplicadores.
  • Horto de mangue que visa a manutenção do ecossistema de manguezal, tanto em Maragojipe como em outras localidades que sejam propícias a recuperação.

O projeto “Viva o mangue”, é firmado em parceria com Deten Química S/A, que visa a reprodução de mudas de manguezal, das espécies mais comuns encontradas na Baía do Iguape. Conta também com pesquisas e estudos voltados a área ambiental. E com um intuito maior de educar para preservação do meio ambiente.

A realização da “Semana do Meio Ambiente” é voltado para a criação de consciência de preservação, onde conta com gincana ecológica, mostra de vídeo, palestras, plantio de mudas do mangue.


Atividades realizadas na sede

Atividades realizadas na sede

Ação Social

A semana estudantil realizada anualmente conta com a integração e participação de professores e alunos de escolas municipais e estaduais de Maragojipe, o evento conta com a realização de campeonatos de várias modalidades, palestras, festival de música, mostra de vídeo e apresentação musical. Esse ano  a fundação Vovó do Mangue  promove de 10 á 14 de abril  a semana estudantil, e segundo Heitor o impacto desse projeto é direcionado diretamente com a sociedade, funciona focada diretamente  na aula de educação ambiental, com pescadores, e marisqueiras, de toda região de Maragojipe.



ROGÉRIO LACERDA E ROSALVO M. JÚNIOR

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O Céu de Santo Amaro

“Bimba birimba a mim que diga Taco de arame, cabaça, barriga” (Meia lua Inteira – Caetano Veloso)

O CÉU QUE DESPERTOU uma paixão em um dos maiores ícones da música brasileira, Caetano Veloso, está em uma cidade simples, com um crescimento comum de pessoas incomuns. Santo Amaro abriga como filhos não só Caetano, mas sua irmã Maria Bethânia e sua mãe Canô. Por mais que eles não se sintam a cara da cidade é indiscutível que caminhar por aquelas ruas estreitas, com arquitetura clássica mesclada com a modernidade de casas e lojas mais requintadas você não se lembre da primeira música composta por Caetano “Força Estranha”. Imagina-se onde ele viu o menino correndo e quem foi à grávida que o fez sentir o tempo parar.

A FORÇA DE UM ARTISTA é julgada ao chegar a Santo Amaro e ter uma conversa informal com Dona Canô. Aquela senhora simpática de 101 anos e uma lucidez invejável nos faz caminhar pensando em como uma família de poetas transforma uma cidade e um povo. Santo Amaro se transformou na terra dos Veloso, e com muito orgulho obrigado. Ali as pessoas se vangloriam pela poesia que são seus largos e suas praças. A energia, a força estranha no ar ainda existe, a cidade foi imortalizada na voz e na genialidade de seu povo.

FONTE DE INSPIRAÇÃO E ARTE, Santo Amaro é um cidade gostosa de passar uma tarde com amigos, sentir o vento e o clima interiorano. A Bahia orgulha-se de suas praias e seus faróis soteropolitanos, mas não esquece a graça e a beleza de suas cidades pequenas. O prazer de estar ali de imaginar as ruas que foram palco de grandes clássicos e poesias. Aquele céu de estrelas reluzentes no meio do recôncavo baiano, no nordeste do Brasil.

OS OUTROS FILHOS DA TERRA como Amélia Rodrigues, escritora e Zilda Paim, historiadora também compõem o universo santo-amarense. Mas esta peculiaridade que Santo Amaro goza por ser a terra de Caetano – nome por várias vezes repetido – termina ofuscando as outras distrações da cidade. É claro, depois que a euforia passa você é tentado com outras belezas, como a igreja da Matriz que é um arraso arquitetônico, a câmara municipal, o museu e o teatro. Como já foi dito, ali até a poeira é poética, os cachorros supõem-se felizes. “A cidade é linda…”.

RAQUEL PIMENTEL e JANA CAMBUÍ

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Vice-prefeito de Santo Amaro declara guerra aos maus políticos

Justino mostrou não ter papas na língua quando o assunto é corrupção e denunciou a tudo e a todos

Fachada da Prefeitura e da Câmara Municipal

Fachada da Prefeitura e da Câmara Municipal

 O vice-prefeito da cidade de Santo Amaro Justino Oliveira dos Santos, 53, falou ao blog ComArt no último dia 13 de julho. Justino é santo-amarense, filiado ao PC do B, pai de dois filhos, cursa Administração de Empresas e também é funcionário público, exercendo a função de Agente Administrativo na Previdência Social. Desde 1992 está na política, como vereador em quatro mandatos e foi presidente da câmara entre os anos de 2001 e 2002.

 O que tinha a princípio um tom de uma conversa amigável e destinada basicamente a colher informações sobre a Prefeitura atual tomou um tom de debate e oposição entre a administração atual e o vice-prefeito. Justino foi direto ao ponto, e não demonstrou receio em falar o que pensa, como mostra a entrevista:

 ComArt: Quais os seus principais propósitos atuais em Santo Amaro?

 Justino Oliveira: Resgatar a dignidade do povo que anda aviltada pelos maus governantes.

 ComArt: Quais são necessidades básicas da comunidade à priori para esse resgate?

 Justino Oliveira: É preciso revitalizar a educação, um trabalho profundo na assistência social que anda bastante precária. Nossa cidade na verdade precisa de uma grande reforma social, política e econômica, que anda degradada.

 ComArt: Mas onde dessas áreas encontramos o maior investimento da Prefeitura atualmente?

 Justino Oliveira: Eu estou com um sério problema, porque estou vendo um grande investimento no bolso dos governantes.

 ComArt: Então os casos de corrupção aqui são notórios?

 Justino Oliveira: Continua presente, lamentavelmente.

 ComArt: Qual sua avaliação dos seis primeiros meses de governo?

 Justino Oliveira: A meu ver ainda não disse pra que veio.

 ComArt: De modo geral?

 Justino Oliveira: Sim, não existe um plano de governo efetivo, algo bem estabelecido e programado.

 ComArt: Em relação aos atrativos da cidade de Santo Amaro para turistas e para os moradores, quais seriam os mais importantes em sua opinião?                                                        

Justino Oliveira: É justamente isso que nós precisamos resgatar. Nossa história cultural, que anda no marasmo, e nossa economia, pois Santo Amaro já teve lugar de destaque na economia brasileira.

 ComArt:  E hoje?

 Justino Oliveira: Infelizmente vive se arrastando.

 ComArt: Existe uma hegemonia partidária dentro da Câmara de Vereadores de Santo Amaro que apóia o Prefeito ou a oposição se faz presente e férrea?

 Justino Oliveira: Na verdade os vereadores necessitam aprender uma coisa: Eles são eleitos para defender os interesses do povo, e não para “blindar” o Prefeito. A preocupação de uma boa parte deles é de salvaguardar a corrupção que eles praticam.

 ComArt: Em relação a 1992, ano que o senhor entrou na política efetivamente, nos dias de hoje tiveram mudanças que podem ser tidas como conquistas políticas pessoais?

 Justino Oliveira: O que considero uma conquista para mim é ser sempre vigilante. Na defesa do povo de Santo Amaro, o que incomoda muitos governantes locais que não aceitam essa minha postura, e isso é muito difícil para mim.

TONI CALDAS

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Não deixe o samba morrer!

Uma visita do ComArt a Santo Amaro revela as belezas culturais da cidade de Dona Canô.

 Santo Amaro, com aproximadamente 58 mil habitantes, é cidade natal de Caetano Veloso e Maria Bethânia, filhos da ilustre Dona Canô Veloso. Como toda cidade do interior, Santo Amaro vem conquistando seu espaço com o desenvolvimento econômico e também cultural, seus dois principais pontos culturais é a Casa do Samba e o Teatro Dona Canô.

A Casa do Samba
A Casa do Samba

A Casa do Samba se destaca por ser um lugar que busca valorizar a cultura local através do Samba de Roda. Localizado no Solar Subaé, que pertenceu ao Conde de Subaé, da fase áurea da aristocracia e da arquitetura do Recôncavo, prédio histórico que foi restaurado e reinaugurado em 2007, fica localizado na Rua do Imperador, Centro. De ambiente novo, o solar manteve algumas características da sua estrutura original, porém agora com um elevador que dá acessibilidade a pessoas com necessidades especiais.

Em funcionamento há dois anos, atualmente possui 72 grupos de Samba de Roda inscritos. No local são ministradas aulas de Capoeira, Samba de Roda e Maculelê, que recebe alunos de varias faixas etárias. Possuem uma sala de informática e dormitórios atendendo as pessoas que necessitem. Além das aulas, também existe uma exposição chamada “Samba de Roda: Memória e Vida”, que mostra fotos e materiais ligados a dança.

Herança cultural afro-brasileira, reconhecido como expressão integrante do patrimônio cultural brasileiro e matriz de um dos mais eloqüentes símbolos nacionais (o samba), o samba-de-roda do recôncavo baiano foi inscrito no Livro de Registros das Formas de Expressão em 05 de Outubro de 2004, e agraciado pela UNESCO com o título de Obra-prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade, no ano seguinte.

Teatro Dona Canô
Teatro Dona Canô

Localizado também na rua do Imperador, Centro, o Teatro Dona Canô foi inaugurado em 14 de Setembro de 2001. Com estrutura moderna, esse teatro possui 274 lugares, ar condicionado, um bom palco com 3 camarins, além do foyer para exposições. Também é adaptado para pessoas com necessidades especiais.

O terreno do teatro foi doado pelo Governo do Estado. Mas foi dona Canô Veloso, artistas e produtores que contribuíram para que o projeto virasse realidade. O nome do teatro é uma homenagem a essa mulher que é uma personalidade muito querida em Santo Amaro, e também por ela ter contribuído muito para a sua criação. A data de inauguração, 14 de Setembro, foi escolhida por ser a data do seu aniversario. Desde a sua fundação tem reunido artistas de todo o país para apresentações.

Todas essas singularidades fazem da Bahia como um todo e de Santo Amaro, em especial, lugar essencial para se entender a história do povo brasileiro. Histórias que estão vivas nas manifestações populares e culturais da cidade e também no patrimônio histórico da região do Recôncavo.
Por essa importância que tem Santo Amaro, o Iphan tem dado atenção a alguns projetos da cidade. Em breve, ocorrerá a restauração da Igreja de Nossa Senhora da Purificação, que foi uma reivindicação dos cidadãos santamarenses, e que foi colocada por Dona Canô, não deixando assim que se perca a identidade cultural de Santo Amaro, gerando em sua população orgulho a respeito de sua cidade.

 MARIANA COUTO E LEIZIANE MOTA

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Santo Amaro, cidade de costumes e tradições

Santo Amaro, às margens do rio Taripe, tem algumas construções históricas, principalmente igrejas, a principal delas é a de Nossa Senhora da Purificação. No mês de fevereiro, nesta igreja acontece à famosa e tradicional lavagem da escadaria, inicia-se no último domingo de janeiro e permanece até o dia 2 fevereiro.

Por ser uma cidade do Recôncavo Baiano, distante das praias, Santo Amaro é uma cidade que vive muito do turismo, pois nas épocas das festas populares da cidade como o Reisado, o Bembé do Mercado e o São João, é que arrecada-se maior quantidade de renda para a cidade.

A Lavagem da Purificação é uma festa de popular de grande porte, inclusive a data foi remanejada por causa dos turistas, pois antigamente ocorria no dia 31 de janeiro, mas como não recebia visitas turísticas passou a ser no dia 24 de janeiro e finaliza-se no dia 2 de fevereiro. Segundo a historiadora Zilda Paim, “a igreja é lavada como preparativo para a festa, uma vez que no passado, as mulheres que perdiam a virgindade e que tinham recursos eram colocadas no convento das Dorotéias, eram recolhidas as desvirginadas e as populares que não tinham família nobre, assim perdiam o direito de usar roupas como o vestido comum, de participar das festas religiosas; então resolveram se juntar para fazer a lavagem. As senhoras da nobreza ficavam dentro da igreja e as populares carregavam água do chafariz até as escadarias para lavar as mesmas fazendo samba com o estandarte”.    

O Reisado é uma festa que ocorre em janeiro, “na véspera de Reis, era cinco de janeiro”, porém já perdeu muito da sua tradição. Era uma festa popular, não tinha distinção de ricos e pobres, todos participavam, ”uma família saía para tirar um rei na casa do outro, mas não era comunicado era uma coisa sigilosa. Naquele tempo preparavam as comidas que eram simples, era mungunzá, arroz doce, levavam carregados nas mãos e quando chegava na porta da pessoa é que tocava e cantava acordando as pessoas daí ficavam fazendo festa, dança, até o dia amanhecer”. Ainda hoje tira-se o rei, mas o mais famoso é o da família Veloso.

No dia 13 de maio, a data da abolição da escravatura, prova da resistência do negro como forma para conservar a cultura africana é comemorado a festa do Bembé do Mercado. Nesse dia as mães de santo levam suas oferendas para Iemanjá pela força que ela vem dando para resistir com força e coragem. A festa começa na realidade no dia 10 de maio, quando ainda é madrugada, o som dos atabaques avisa que iniciou-se a festa em saudação aos orixás.

Já o São João, por ser uma festa tradicional por toda a região, em Santo Amaro não deixa de ter o seu público, já que prepara a praça com o placo principal para receber atrações de grande e médio peso, além da venda de comes e bebes.É organizada uma infra-estrutura para recepcionar os turistas e os nativos.

Mas a tradição de muitas festas de Santo Amaro como a festa do Lindroamor e o dia da Santa Masorra, já se perdeu devido à administração da prefeitura, muito dos antigos moradores já morreram e com eles a cultura foi enterrada junto aos seus túmulos.Por conseguinte Rodrigo Veloso, secretário de cultura de Santo Amaro afirmou que: ”não é possível na época de hoje voltar a oitenta anos atrás, isso é impraticável. Tem que modernizar, colocando-se palco para atrair o público, porém respeitando o significado das festas”. Contudo as escolas, o município, a nova geração tenta resgatar todos esses costumes, através do folclore que faz parte da história da cidade de Santo Amaro da Purificação.

LAÍS MARTINS E LARISSA ARAÚJO

     

 

 

                                                           

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Rodrigo Veloso e seus vários papéis: Secretário de Cultura da cidade de Santo Amaro e filho da ilustre Dona Canô.

Rodrigo Veloso: Secretário de Cultura de Santo Amaro

Rodrigo Veloso: Secretário de Cultura de Santo Amaro

Em busca de maiores informações e esclarecimentos sobre a cultura popular da cidade de Santo Amaro da Purificação, o ComArt entrevistou o Secretário de Cultura Rodrigo Antônio Viana Teles Veloso, 74 anos, que exercia o cargo de coordenador na prefeitura da cidade desde janeiro de 2009, mas que passou a exercer o atual posto com a criação da Secretaria a partir do dia 15 de junho.

Além de aceitar nosso convite para a entrevista, Rodrigo e o seu assessor Gleidson nos propõem uma conversa descontraída em sua casa, “Vamos lá pra casa de voinha” diz Gleidson referindo-se à residência de Dona Canô. Sempre cheia e muito visitada, a casa que fica no centro da cidade, apesar de ser um dos principais atrativos turísticos, mostra-se muito simples e acolhedora, com quadros, fotografias e outras recordações espalhadas por sua extensão.

ComArt: Quais são as propostas para revitalização da cultura na cidade?

Rodrigo: A cidade de Santo Amaro é rica em manifestações culturais: Samba de Roda, Maculêlê, Capoeira, Burrinha, Negro Fugido, Careta, etc. Temos 38 terreiros de candomblé, todos eles fazendo festa. Temos pensando em trazer isso a público; mas devido à falta de verbas isso não tem acontecido como gostaríamos, também porque é muito difícil fazer uma só comemoração com tantos grupos culturais diferentes. Queremos fazer acima de tudo trabalhos na periferia, levando livros, dança, música, teatro; pois mesmo em pequenas cidades a violência já impera.

ComArt: A Secretaria da Cultura tem a ajuda de algum órgão ou de terceiros?

Rodrigo: Sim. Por exemplo, eu acho que educação, cultura, esporte e lazer têm que estar entrelaçados, sendo uma coisa só. As secretarias funcionam muito melhor assim. Educação e cultura têm que ficar juntas. Esse ano mesmo queríamos fazer um trabalho no 2 de Julho, e tivemos que contar com a ajuda da Secretaria de Educação.

“Com a má administração de um grupo durante 42 anos, a imagem da cidade se resumiu a Caetano, Bethânia e Dona Canô.’’

ComArt: Qual imagem da cidade de Santo Amaro fora do estado da Bahia?

Rodrigo: A cidade ficou famosa no passado devido à riqueza de cana-de-açúcar, possuía muitos engenhos. Mas com a má administração de um grupo durante 42 anos, a imagem da cidade se resumiu a Caetano, Bethânia e Dona Canô. Turistas chegam e nem querem visitar os pontos turísticos; só querem vir aqui na casa de minha mãe e pronto. Temos que acabar com isso, claro que não é pra deixar de visitá-la, mas é preciso que o turista saiba que temos um belíssimo museu, uma linda praça, um grande chafariz que está esquecido; filhos famosos como Jorge Portugal e Roberto Mendes… Então temos que resgatar e divulgar a diversidade cultural. Não é fácil mudar de uma hora pra outra um costume de tanto tempo, mas estamos tentando. O principal eu acho que tenho: sou filho da cidade, então tenho amor e muita vontade de melhorá-la.

ComArt: O que mais atrai o turista à cidade?

Rodrigo: Turistas vêm a Santo Amaro mas nunca almoçam aqui; vão para Cachoeira (risos). Temos que divulgar nossos restaurantes, nossa cultura, pois ninguém conhece. Quando o Ministro veio aqui perguntei por que tudo é destinado a Cachoeira e outras cidades, então ele me disse que esses anos todos os prefeitos, de certa forma, pediram essa ajuda e contribuição, enquanto aqui em Santo Amaro ninguém nunca pediu nada. Então agora que a gente está começando a pedir, começando a restaurar as ruínas e estamos correndo atrás do campus (referindo-se a implantação de um Campus da UFRB na cidade).
Em relação às festas, a lavagem é uma das principais. Temos planos de tombar o “Bembé”, tombar outras manifestações e até as casas da cidade, pois estão sendo destruídas. A cidade toda precisa de muitos cuidados, estamos tentando, pois partimos do zero (referindo-se ao governo anterior).

ComArt: Explique um pouco mais sobre os festejos da cidade.

Rodrigo: Há mais de 50 anos que eu faço um “Terno de Reis’’ e por causa de minha mãe esta festa cresceu assustadoramente. Ano passado distribuíram-se mais de 1000 pulseirinhas. Vou a Salvador sempre comprar adereços para o “Terno’’, pois com tantas pessoas temos que ter mais atenção e cuidado. Apesar do festejo ter perdido um pouco do tradicionalismo, sempre venho tentando não me afastar e conservar estas características junto com a modernidade. Todos os anos colocamos um tema no “Terno’’e usamos adereços e cores de acordo com ele.
No dia do folclore, pretendo colocar tudo na rua, todas as manifestações culturais e cultura popular, encher as ruas com Samba de Roda, Capoeira, Candomblé.

ComArt: O senhor teria alguma relação com o meio artístico?

Rodrigo: Sim, claro, sou um dos fundadores do Teatro Vila Velha, em Salvador. Já fiz teatro, tecelagem, pintura, muitas coisas… Mas o que eu mais me identifiquei foi a tecelagem. Levei cinco anos ajudando meu professor com trabalho. Tenho a veia artística da família, puxei a minha mãe!

ComArt: Existe uma maior cobrança por parte da população por pertencer a família Veloso?

Rodrigo: Lógico, são os dois lados da moeda. O lado melhor é que a gente tem acesso a algumas coisas, devido a Caetano mesmo e minha mãe. O Ministro já veio aqui em casa duas vezes, sentamos e discutimos variados assuntos. Por outro lado, tem gente que não aguenta (sic) o sucesso da secretaria, porque a prefeitura está mudando a cara. Esse ano mesmo revitalizamos o São João, voltamos ao tradicionalismo, com direito a forró pé-de-serra e quadrilha.

MARÍLIA MARQUES E POLLYANNA MACÊDO

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