Rodrigo Veloso e seus vários papéis: Secretário de Cultura da cidade de Santo Amaro e filho da ilustre Dona Canô.

Rodrigo Veloso: Secretário de Cultura de Santo Amaro

Rodrigo Veloso: Secretário de Cultura de Santo Amaro

Em busca de maiores informações e esclarecimentos sobre a cultura popular da cidade de Santo Amaro da Purificação, o ComArt entrevistou o Secretário de Cultura Rodrigo Antônio Viana Teles Veloso, 74 anos, que exercia o cargo de coordenador na prefeitura da cidade desde janeiro de 2009, mas que passou a exercer o atual posto com a criação da Secretaria a partir do dia 15 de junho.

Além de aceitar nosso convite para a entrevista, Rodrigo e o seu assessor Gleidson nos propõem uma conversa descontraída em sua casa, “Vamos lá pra casa de voinha” diz Gleidson referindo-se à residência de Dona Canô. Sempre cheia e muito visitada, a casa que fica no centro da cidade, apesar de ser um dos principais atrativos turísticos, mostra-se muito simples e acolhedora, com quadros, fotografias e outras recordações espalhadas por sua extensão.

ComArt: Quais são as propostas para revitalização da cultura na cidade?

Rodrigo: A cidade de Santo Amaro é rica em manifestações culturais: Samba de Roda, Maculêlê, Capoeira, Burrinha, Negro Fugido, Careta, etc. Temos 38 terreiros de candomblé, todos eles fazendo festa. Temos pensando em trazer isso a público; mas devido à falta de verbas isso não tem acontecido como gostaríamos, também porque é muito difícil fazer uma só comemoração com tantos grupos culturais diferentes. Queremos fazer acima de tudo trabalhos na periferia, levando livros, dança, música, teatro; pois mesmo em pequenas cidades a violência já impera.

ComArt: A Secretaria da Cultura tem a ajuda de algum órgão ou de terceiros?

Rodrigo: Sim. Por exemplo, eu acho que educação, cultura, esporte e lazer têm que estar entrelaçados, sendo uma coisa só. As secretarias funcionam muito melhor assim. Educação e cultura têm que ficar juntas. Esse ano mesmo queríamos fazer um trabalho no 2 de Julho, e tivemos que contar com a ajuda da Secretaria de Educação.

“Com a má administração de um grupo durante 42 anos, a imagem da cidade se resumiu a Caetano, Bethânia e Dona Canô.’’

ComArt: Qual imagem da cidade de Santo Amaro fora do estado da Bahia?

Rodrigo: A cidade ficou famosa no passado devido à riqueza de cana-de-açúcar, possuía muitos engenhos. Mas com a má administração de um grupo durante 42 anos, a imagem da cidade se resumiu a Caetano, Bethânia e Dona Canô. Turistas chegam e nem querem visitar os pontos turísticos; só querem vir aqui na casa de minha mãe e pronto. Temos que acabar com isso, claro que não é pra deixar de visitá-la, mas é preciso que o turista saiba que temos um belíssimo museu, uma linda praça, um grande chafariz que está esquecido; filhos famosos como Jorge Portugal e Roberto Mendes… Então temos que resgatar e divulgar a diversidade cultural. Não é fácil mudar de uma hora pra outra um costume de tanto tempo, mas estamos tentando. O principal eu acho que tenho: sou filho da cidade, então tenho amor e muita vontade de melhorá-la.

ComArt: O que mais atrai o turista à cidade?

Rodrigo: Turistas vêm a Santo Amaro mas nunca almoçam aqui; vão para Cachoeira (risos). Temos que divulgar nossos restaurantes, nossa cultura, pois ninguém conhece. Quando o Ministro veio aqui perguntei por que tudo é destinado a Cachoeira e outras cidades, então ele me disse que esses anos todos os prefeitos, de certa forma, pediram essa ajuda e contribuição, enquanto aqui em Santo Amaro ninguém nunca pediu nada. Então agora que a gente está começando a pedir, começando a restaurar as ruínas e estamos correndo atrás do campus (referindo-se a implantação de um Campus da UFRB na cidade).
Em relação às festas, a lavagem é uma das principais. Temos planos de tombar o “Bembé”, tombar outras manifestações e até as casas da cidade, pois estão sendo destruídas. A cidade toda precisa de muitos cuidados, estamos tentando, pois partimos do zero (referindo-se ao governo anterior).

ComArt: Explique um pouco mais sobre os festejos da cidade.

Rodrigo: Há mais de 50 anos que eu faço um “Terno de Reis’’ e por causa de minha mãe esta festa cresceu assustadoramente. Ano passado distribuíram-se mais de 1000 pulseirinhas. Vou a Salvador sempre comprar adereços para o “Terno’’, pois com tantas pessoas temos que ter mais atenção e cuidado. Apesar do festejo ter perdido um pouco do tradicionalismo, sempre venho tentando não me afastar e conservar estas características junto com a modernidade. Todos os anos colocamos um tema no “Terno’’e usamos adereços e cores de acordo com ele.
No dia do folclore, pretendo colocar tudo na rua, todas as manifestações culturais e cultura popular, encher as ruas com Samba de Roda, Capoeira, Candomblé.

ComArt: O senhor teria alguma relação com o meio artístico?

Rodrigo: Sim, claro, sou um dos fundadores do Teatro Vila Velha, em Salvador. Já fiz teatro, tecelagem, pintura, muitas coisas… Mas o que eu mais me identifiquei foi a tecelagem. Levei cinco anos ajudando meu professor com trabalho. Tenho a veia artística da família, puxei a minha mãe!

ComArt: Existe uma maior cobrança por parte da população por pertencer a família Veloso?

Rodrigo: Lógico, são os dois lados da moeda. O lado melhor é que a gente tem acesso a algumas coisas, devido a Caetano mesmo e minha mãe. O Ministro já veio aqui em casa duas vezes, sentamos e discutimos variados assuntos. Por outro lado, tem gente que não aguenta (sic) o sucesso da secretaria, porque a prefeitura está mudando a cara. Esse ano mesmo revitalizamos o São João, voltamos ao tradicionalismo, com direito a forró pé-de-serra e quadrilha.

MARÍLIA MARQUES E POLLYANNA MACÊDO

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