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Prefeitura de participação popular: a administração pública em Maragojipe

Localizado ao fundo da Baía de Todos os Santos, Maragojipe está a 133 km de Salvador, com uma população estimada em, aproximadamente, 41.085 habitantes. O município é bastante rico em recursos naturais e apresenta um ótimo potencial para o turismo ecológico e chama uma atenção especial para seus 30 km de manguezais.

Para o desenvolvimento de um município naturalmente tão rico, a cidade deve contar com uma boa administração de seus representantes, e atualmente o prefeito em exercício é Sílvio José Santana Santos, reeleito, e conhecido pela população como “Ataliba”.

Com alta popularidade, o prefeito é visto por parte de alguns moradores como “um amigo maravilhoso e digno”, além de “uma pessoa direita que põe os jovens para trabalhar”, como afirmou enfaticamente a aposentada Marinalva Pestana, 73 anos, nascida e criada no município. Porém tais opiniões são divergentes. Há quem discorra sobre as falhas do prefeito Ataliba, a exemplo de um morador do distrito de Najé, pertencente à Maragojipe, que preferiu não se identificar ao ComArt: “A saúde é uma negação. No posto não fica médico nenhum. Temos que nos deslocar quase 2 km para sermos atendidos pelo SUS, além da longa espera, de três a quatro meses”.

Em uma longa conversa conosco, após um seminário em que participou para decidir os rumos da administração da cidade, o prefeito esclarece alguns aspectos do município, referente à saúde: “Eu peguei o município, quando tinha apenas uma clínica médica, que não fazia nenhum procedimento a não ser o ambulatorial. Com quatro PSF’s (Programas de Saúde da Família) fechados, com seis meses de salários atrasados de todos os profissionais. Nós regularizamos tudo: reabrimos o hospital, que estava fechado há 15 anos, dentro da nossa realidade financeira e até debatemos com a Secretaria de Saúde da época, governada pelo pessoal de Paulo Souto que não liberava nada para o município. Temos oito postos de “saúde da família”, todos funcionando, porém nós temos um grande problema de médicos: hoje eu tenho médico, mas amanhã eu não garanto que eu vou ter, pela questão do leilão público que está aí exatamente pela falta de investimento do ensino no Brasil. Temos também uma unidade móvel de saúde que visita todas as localidades que não têm PSF, além de um centro de saúde que estamos trazendo para o centro da cidade com outros profissionais”.


“Hoje você percebe que o prefeito não tem mais necessidade de andar com um talão em baixo do braço; aliás, ainda tem, mas você percebe que diminuiu muito com o aumento da fiscalização. ’’


Prefeitura de participação popular: Perguntado sobre a participação do povo na administração Pública de Maragojipe, Ataliba não hesita ao responder: “Há três anos que nós utilizamos o Orçamento Participativo (OP), mas eu acho que é uma ferramenta que já está obsoleta e que necessita avançar muito mais, pois o cidadão precisa conhecer o orçamento participativo, mas conhecer também os mecanismos do orçamento público municipal”. E conclui: “A gente pode estar com bastante dinheiro em caixa, mas a lei de responsabilidade fiscal diz que eu não posso mexer nesse dinheiro, é uma verba carimbada. Então, a população está mais esclarecida e também os instrumentos de fiscalização foram constituídos até por conta de concepções administrativas do país. Hoje você percebe que o prefeito não tem mais necessidade de andar com um talão em baixo do braço; aliás, ainda tem, mas você percebe que diminuiu muito com o aumento da fiscalização”.

No entanto, para uma prefeitura de efetiva participação popular, se faz necessária a informação dos moradores acerca da realidade dos maragojipanos. Neste âmbito, o atual gestor comenta o que tem feito para informar os moradores: “Se você investe muito dinheiro em comunicação, abre-se a possibilidade da comunidade estar sabendo. Só pavimentar ruas não adianta, você tem que ter uma comunicação boa. Por exemplo, programas como “Se liga Bocão” e apresentadores como Casemiro Neto, se você não colocar dinheiro na mão deles você apanha, e muito! Certa vez eu disse na Record: Eu já apanhei de 14 irmãos, não tenho medo de apanhar de Varela ou de Bocão. As prefeituras devem montar e apoiar uma nova concepção de comunicação ou vão ficar refém dessas pessoas.”


“Essa questão de ser candidato a deputado só em 2014”


Devido a sua aparente popularidade nas ruas, o ComArt pergunta a Ataliba sobre possíveis pretensões de sair candidato em 2010 a deputado federal: “Eu sempre digo que sou um homem de projetos. Eu defendo dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) o nome de dois candidatos aqui da região para deputados estaduais. Não vai ser o de Ataliba, com certeza! Pelo menos é a minha vontade. Desejo terminar este momento a nossa gestão. É muito chato você deixar o governo no meio, mesmo confiando no meu vice, que eu tenho ampla certeza que vai tocar o projeto. Mas é uma questão pessoal”.

E prossegue – com o seu modo característico de gesticular bastante: “Pegamos um município que tinha uma das piores arrecadações do estado. Elevamos a 13º melhor arrecadação do ano de 2009. Trazer tamanho empreendimento que é o Pólo Naval que vai modificar a forma econômica, social e cultural do recôncavo. Também acho que trazer uma universidade pra dentro de uma região, traz a perspectiva de trabalho, geração de emprego e renda. Hoje o recôncavo, com a vinda do Pólo Naval e a consolidação da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), traz de volta a perspectiva de desenvolvimento dessa área que foi o expoente do desenvolvimento econômico do estado e do país. Mas essa questão de ser candidato a deputado só em 2014.”

Abordado sobre a sua vida pessoal, Sílvio fala sobre o racismo enfrentado no início da carreira e que ainda persiste: “A questão dos atos de racismo a gente sofre. É o ‘tal’ negro de alma branca, mas eu costumo dizer que minha alma é tão negra quanto a cor da minha pele. O que eu percebo também, é que a gente está com instrumentos nas mãos para minimizar essa inconsciência. A comunidade começa a perceber que existe o racismo porque a pior coisa é quando as pessoas não percebem que está praticando e dizem que ele não existe”.

Curiosamente vimos, ao sair da sala em que foi concedida a entrevista, uma faixa em letras garrafais que destacava o nome do prefeito e dizia: “Ataliba, temos certeza de que suas mãos continuam limpas!!”. Demonstração de que a população maragojipana está disposta a fazer parte efetivamente da “prefeitura de participação popular”.



LAÍS DE OLIVEIRA E MARÍLIA MARQUES

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A atuação do PMDB na cidade de Maragojipe

No dia 20 de julho, o ComArt foi a cidade de Maragojipe para uma entrevista com o representante do partido PMDB da cidade. Depois das várias tentativas de encontrar alguém que pudesse responder nossas dúvidas, já que a cidade não abriga um Comitê do partido, e tanto na Câmara quanto no Fórum não tinham ou não estavam presentes esses representantes, fomos à casa do presidente do partido, Silvio Armedes.

Após nos atender sem hesitar e bem à vontade, ele nos mandou entrar e informou que para maiores informações sobre o partido precisaríamos procurar uma outra pessoa, Francisco Santos, conhecido como Chiquinho, pois o próprio Silvio se considera um “outside” e afirma: “Meu irmão é envolvido com política, já foi prefeito da cidade pelo PMDB, e como se precisa de confiança para entregar um cargo como o da presidência do partido, ele deu a mim, mas não me interesso pelo assunto e pouco sei lhe informar essas coisas”.

Então depois de mais uma parada em busca de informação, encontramos e fomos conversar com Chiquinho, que apesar de já estar dando uma entrevista, concordou em responder ás nossas perguntas.


Chiquinho: representante do PMDB na cidade

Chiquinho: representante do PMDB na cidade


ENTREVISTA

ComArt: Qual a participação política do PMDB na cidade de Maragojipe?

Chiquinho: O PMDB de Maragojipe caminhou junto á oposição (Democratas) nas últimas eleições municipais, enquanto o candidato a prefeito era do DEM, o seu vice era do PMDB. Essa coligação elegeu a maioria dos vereadores do município, sendo três destes do DEM e dois do PMDB. O antigo prefeito da cidade era do PMDB, e o seu irmão é o atual presidente do partido, Silvio Armedes. O presidente da Câmara é do PMDB, e o vicepresidente é do Democratas. Esses dois partidos caminham juntos, a prova maior é que recentemente o prefeito de Maragojipe – do Partido dos Trabalhadores – teve contas rejeitadas, e quem votou pela aprovação do relatório do Tribunal foi justamente PMDB e Democratas.


ComArt:
A população tem apoiado o partido? Como é esta relação?

Chiquinho: O atual prefeito que é do PT foi reeleito com 9.000 votos, e a oposição, que se dividiu com dois candidatos, obteve 11 mil votos: o segundo colocado teve 6.500, e o terceiro teve 4.500. Hoje esses dois candidatos estão unidos. Então a situação é que a população esta dividida, mas se percebe que ela dá um maior apoio à oposição (DEM-PMDB).


ComArt:
E como a população reagiu quando as contas do prefeito foram rejeitadas?

Chiquinho: As contas rejeitadas do prefeito tiveram um grande apoio popular. Os defensores dele obviamente não iam contra, mas o que a gente sente é que mesmo o prefeito sendo reeleito ele teve somente 9.000 votos, contra os 11.000 da oposição, além da maioria desta na câmara de vereadores. Inclusive o vereador mais votado foi do DEM, seguido de uma vereadora do PMDB.


ComArt:
A nível estadual, como é a participação do PMDB na Bahia?

Chiquinho: Como estamos vendo hoje, após a morte do Senador Antônio Carlos Magalhães, abriram-se espaços para que surgissem novas lideranças e formassem um terceiro grupo na política da Bahia, que até então se resumia a Carlistas e não Carlistas. A grande tendência das próximas eleições é que aconteça o ocorrido na eleição para prefeitura de Salvador: um candidato do PT, outro do PMDB, e outro do DEM, chegando colados, com pouquíssima diferença de ponto entre eles. E acredito que havendo a necessidade de apoio, o PMDB e DEM também se unam, como aqui em Maragojipe.


ComArt:
Então o senhor vê como um ponto positivo esta divisão da oposição?

Chiquinho: Claro, temos que ter constantemente alternativas de mudança. Acredito que na política não se pode perder as esperanças, tem que acreditar que vai chegar alguém e mudar a situação, pois as pessoas não são iguais. Na medida em que surge mais um oportunidade, surge também a opção de que aquilo que você acredita seja realizado.



POLLYANNA MACÊDO E QUEILA JORDANE

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O PT em Maragojipe

Numa das cidades mais atraentes do recôncavo baiano, o PT também chama atenção


Em Maragojipe – uma das mais belas cidades que compõem o Recôncavo Baiano – um dos partidos de maior aceitação pela população é o PT (Partido Trabalhista), do qual também faz parte o atual prefeito da cidade, Silvio Ataliba. O presidente em exercício do partido, Antônio José Santos Souza, o popular “Guma”, exerce também mais uma função na administração da cidade. Ele é assessor da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano.

Segundo o Guma, a relação do PT com a administração do prefeito é muito harmoniosa, já que é também o partido dele. E em relação aos outros partidos, o presidente do PT nos diz que dá para se fazer um bom trabalho negociando com os opositores, do qual o maior deles é o DEM (Democratas).O Democratas que fez oposição ao PT nas últimas eleições para prefeito é o segundo partido mais aprovado pelos maragojipanos.

Antônio José foi eleito como vice-presidente, mas por Renato Jorge – o presidente eleito – estar exercendo outro cargo na prefeitura e viajando muito, Antônio então exerce o cargo, até as próximas eleições que aconteceram no dia 22 de novembro do ano em curso.



JULIANA REZENDE

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Muita fé e amor a São Bartolomeu

Procissões, novenas, missas, lavagens de rua e do templo católico fazem parte da programação da Festa de São Bartolomeu em Maragojipe.



São Bartolomeu

São Bartolomeu

A centenária festa em homenagem a São Bartolomeu na cidade de Maragojipe mobiliza toda a cidade durante o mês de Agosto, desde a morte do padroeiro do município baiano. Lavagem do templo, concurso de filarmônicas locais, novenas, missas fazem parte da programação que dura todo o mês de Agosto e começa com o Bando Anunciador no primeiro domingo do mês.

Homens e mulheres, participantes do Bando, desfilam pelas principais ruas da cidade montados em cavalos e acompanhados pelas filarmônicas Dois de Julho e Terpisícore de Maragojipe para entregar aos moradores da cidade os folhetos com a programação da festa que carrega uma tradição que vai além o catolicismo e o candomblé.

“Sem a ajuda do povo não se faria a festa aqui. Ela é realizada pelos maragojipanos com muita fé e amor a São Bartolomeu”, destaca o padre Reginaldo Almeida de Moraes, que está a frente da Paróquia de Maragojipe há 15 anos.


História:

Com a intensificação do domínio português e a proliferação das casas de engenho e farinha na cidade, os senhores de origem portuguesa passaram a fazer de tudo para demarcar poder. Assim foi com o Bartolomeu Gato de Castro que inventou uma história para que os católicos reverenciassem outro santo, pois até o 1640 o padroeiro da cidade era São Gonçalo.

Gato mandou um escravo afirmar ter visto um homem alto, de pele escura e de cabelos cumpridos – atributos físicos de São Bartolomeu – em uma padre branca, onde mais tarde foi edificada a igreja do Padroeiro. Com a suposta aparição, a população foi convencida a reverenciar São Bartolomeu e logo depois trocou a modesta capela de São Gonçalo pelo prédio da Matriz de São Bartolomeu.


Turismo:

A cidade recebe muitos turistas durante as festividades, calcula-se que cerca de 80 mil pessoas passam por Maragojipe. “Acredita-se que São Bartolomeu foi escolhido como padroeiro de Maragojipe devido à pobreza e ao sofrimento da população local, que via no martírio do santo o seu próprio e assim acreditava que ele poderia aliviar suas dores”, esclarece Luiz Carlos Conceição que é membro da comissão organizadora da festa e secretário da Paróquia São Bartolomeu.


Comemorações:

As missas, procissões e novenários fazem parte do calendário religioso, bancado pela população de Maragojipe. Organizada pela Irmamndade de Bartolomeu, rifas e bingos levantam os recursos para bancar o novenário, as flores dos adros das missas, novenas e procissão, além de outros gastos, tudo isso para reverenciar com louvor o padroeiro tão querido pelos Maragojipanos.

Dentre as comemorações religiosas que ocorrem na cidade, há também as celebrações profanas, é assim que são chamados os shows que ocorrem em homenagem a São Bartolomeu, dentre atrações regionais que participam dessas festividades, temos muitas bandas famosas que contribuem para a alegria do povo simples e devoto que nunca deixa de agradecer ao padroeiro por mais um ano entre ganhos e perdas. São esses costumes religiosos e tradicionais que faz da Bahia um grande tesouro cultural incomparável.



LAÍS MARTINS E MARIANA COUTO

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A esplêndida Igreja Matriz

Abençoada por São Bartolomeu, a igreja é uma das poucas construções tombadas da cidade


Igreja Matriz de São Bartolomeu

Igreja Matriz de São Bartolomeu


O encontro de águas do Rio Paraguassú com o Oceano Atlântico e as estreitas ruas não são a única atração de Maragojipe. A Igreja Matriz também é um marco na história e no patrimônio local, considerando que a partir de sua construção se deu inicio ao povoamento do lugar.

Fundada na metade do século XVII, a igreja de São Bartolomeu é um dos poucos imóveis tombados de Maragojipe. Majestoso em todos os aspectos, o templo guarda mais de três séculos de fé e devoção, desde o aspecto arquitetônico até o aspecto religioso.

Situada no ponto mais alto da Cidade, a Matriz de São Bartolomeu tem sua fachada virada para o poente, de frente para a localidade por onde começou a cidade: Rua Nova do Comércio. Em sua fachada há três portas em “cantaria e folhas almofadadas”, sendo que a do centro é em arco e as duas outras laterais são quadradas e um pouco menores, encima das janelas tipo guilhotina, no nível do coro. No seu interior, altares em “talha rococó e neoclássico”, acervo de imagens, telas, prataria e móveis de rara beleza, conforme consta do termo de tombamento do IPHAN.

Interior da Igreja de São Bartolomeu

Interior da Igreja de São Bartolomeu

A fé sempre esteve presente no cotidiano dos maragojipanos. Desde a construção da capela, contribuída pelo Bartolomeu Gato, a devoção ao santo São Bartolomeu é festejada anualmente. A festa, que perdura há séculos, tem início oficialmente no primeiro domingo do mês com o Bando Anunciador, um cortejo de cavaleiros e amazonas que saem pelas ruas da cidade entregando a programação oficial dos festejos em louvor ao santo.

No terceiro domingo acontece sempre a lavagem popular da festa, um cortejo de baianas sempre sai de um terreiro da cidade em direção a Matriz, para além da lavagem das escadarias do templo, fazer sua saudação “arroboboia” ao orixá oxumaré que no sincretismo religioso é São Bartolomeu. Hoje a lavagem é o inverso do que até 1930 se fazia em Maragojipe, até lá as ruas eram enfeitadas e o canto popular era outro “Quando eu vim da Bahia êa, êta…”.



CAIÃ PIRES E GABRIELLE ALANO

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No ritmo solidário

Exemplo de inclusão social, Maragojipe é referencia de música no recôncavo


Filarmônica Dois de Julho

Filarmônica Dois de Julho

Para compor um misto de arte e música no recôncavo baiano, Maragojipe é muito bem representado por duas filarmônicas que são o orgulho da cidade. Em um prédio simples com um amplo salão encontramos a primeira, a “Dois de Julho”. Lá estava um homem simples que dizia não saber dar muitas informações sobre o lugar, mas conversa vai, conversa vem, ele diz que é musico há mais de 15 anos.

Edimilson, 38 anos, simpático nos conta da bela trajetória da mais antiga filarmônica da cidade. A Dois de Julho, se apresenta várias vezes no ano e já foi muito requisitada até pela capital nos desfiles de sete de setembro. Embora afirme que há dois anos não são mais chamados em virtude de priorizar as novas escolas de música. Surge então, um espaço não só de música, mas de solidariedade e inclusão social.

A escola recebe alunos de toda a cidade, basta ir e demonstrar interesse pela harmonia e pelos sons, assim as notas começam a ser compostas para um futuro músico. Saindo-se bem na base, o maestro Djalma Reis convida para o grupo de músicos fixos. Esses são os que se apresentam nos eventos, e que um dia serão os futuros maestros baianos.

A segunda filarmônica é a “Terpsícore Popular”, aparenta ser mais provida de materiais e recursos e ao entrar e encontrar um ensaio improvisado, a fim de auxiliar um novo integrante, descobrimos que o grupo é vencedor de inúmeros prêmios. Um deles dito com muito orgulho por um de seus integrantes, Renato – toca trompete. O Festival de Filarmônicas do Recôncavo, que acontece de dois em dois anos premia o vencedor com ajuda financeira e instrumentos, mas a Terpsícore não compete mais, são apenas convidados para dar espaço para outras vencerem já que foram vencedores sucessivas vezes.

Lá estava Roberval, o novo integrante, aprendendo timidamente a tocar contra-baixo. Ele diz que seu pai era um grande fã da escola de música e sempre quis que um de seus filhos fosse aluno. Com muita vontade e talento Roberval ensaia todos os dias com Renato e Joílson – toca banzo. É nesse clima de companheirismo que funciona outro espaço musicado da cidade, com 129 anos, ensaios três vezes na semana.

Assim como a Dois de Julho, ali as aulas são de graça e seu objetivo é simplesmente ensinar. Os alunos que conhecemos são apaixonados pelos acordes simples e pelos complexos, aprender a arte de tocar um instrumento elegantemente e se apresentar na sua cidade é para eles de um valor impagável. Inegavelmente saímos encantadas e esperançosas por uma oportunidade de ouvi-los proferir em musica os maiores clássicos nacionais e internacionais. O Brasil de Vila Lobos deveria ter mais exemplos como esse. Para eles fica, os nossos parabéns.



RAQUEL PIMENTEL E TAIANE NAZARÉ

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